Acupunturistas
André Gandur
Marilene Coelho

 André Luiz Gandur Abrão na Doctoralia

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Transporte de Acidentados

 
 
O transporte de acidentados ou de vítimas de mal súbito requer de quem for socorrer o máximo cuidado e correção de desempenho, com o objetivo de não lhes complicar o estado de saúde com o agravamento das lesões existentes.Antes de iniciar qualquer atividade de remoção e transporte de acidentados, assegurar-se da manutenção da respiração e dos batimentos cardíacos; hemorragias deverão ser controladas e todas as lesões traumato-ortopédicas deverão ser imobilizadas.

O estado de choque deve ser prevenido. O acidentado de fratura da coluna cervical só pode ser transportado, sem orientação médica ou de pessoal especializado, nos casos de extrema urgência ou iminência de perigo para o acidentado e para quem estiver socorrendo-o.

Enquanto se prepara o transporte de um acidentado, acalmá-lo, principalmente demonstrando tranquilidade, com o controle da situação. É necessário estar sereno para que o acidentado possa controlar suas próprias sensações de temor ou pânico.

É recomendável o transporte de pessoas nos seguintes casos:

  • Vítima inconsciente.
  • Estado de choque instalado.
  • Grande queimado.
  • Hemorragia abundante. Choque.
  • Envenenado, mesmo consciente.
  • Picado por animal peçonhento.
  • Acidentado com fratura de membros inferiores, bacia ou coluna vertebral.
  • Acidentados com luxação ou entorse nas articulações dos membros inferiores.

O uso de uma, duas, três ou mais pessoas para o transporte de um acidentado depende totalmente das circunstâncias de local, tipo de acidente, voluntários disponíveis e gravidade da lesão. Os métodos que empregam um a duas pessoas socorrendo são ideais para transportar um acidentado que esteja inconsciente devido a afogamento, asfixia e envenenamento. Este método, porém, não é recomendável para o transporte de um ferido com suspeita de fratura ou outras lesões mais graves. Para estes casos, sempre que possível, deve-se usar três ou mais pessoas.

Para o transporte de acidentados em veículos, alguns cuidados devem ser observados. O corpo e a cabeça do acidentado deverão estar seguros, firmes, em local acolchoado ou forrado. O condutor do veículo deverá ser orientado para evitar freadas bruscas e manobras que provoquem balanços exagerados. Qualquer excesso de velocidade deverá ser evitado.

Fonte: Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003
 

 

Estado de Choque

 
 
O choque é um complexo grupo de síndromes cardiovasculares agudas que não possui, uma definição única que compreenda todas as suas diversas causas e origens. Didaticamente, o estado de choque se dá quando há mal funcionamento entre o coração, vasos sanguíneos (artérias ou veias) e o sangue, instalando-se um desequilíbrio no organismo. O choque é uma grave emergência médica. O correto atendimento exige ação rápida e imediata.

Tipos de choque:

  • Choque Hipovolêmico: É o choque que ocorre devido à redução do volume intravascular por causa da perda de sangue, de plasma ou de água perdida em diarreia e vômito.
  • Choque Cardiogênico: Ocorre na incapacidade de o coração bombear um volume de sangue suficiente para atender às necessidades metabólicas dos tecidos.
  • Choque Septicêmico: Pode ocorrer devido a uma infecção sistêmica.
  • Choque Anafilático: É uma reação de hipersensibilidade sistêmica, que ocorre quando um indivíduo é exposto a uma substância à qual é extremamente alérgico.
  • Choque Neurogênico: É o choque que decorre da redução do tônus vasomotor normal por distúrbio da função nervosa. Este choque pode ser causado, por exemplo, por transecção da medula espinhal ou pelo uso de medicamentos, como bloqueadores ganglionares ou depressores do sistema nervoso central.

Causas Principais do Estado de Choque:

  • Hemorragias intensas (internas ou externas)
  • Infarto
  • Taquicardias
  • Bradicardias
  • Queimaduras graves
  • Processos inflamatórios do coração
  • Traumatismos do crânio e traumatismos graves de tórax e abdômen
  • Envenenamentos
  • Afogamento
  • Choque elétrico
  • Picadas de animais peçonhentos
  • Exposição a extremos de calor e frio
  • Septicemia

Sintomas

  • Pele pálida, úmida, pegajosa e fria.
  • Cianose de extremidades, orelhas, lábios e pontas dos dedos.
  • Suor intenso na testa e palmas das mãos.
  • Fraqueza geral.
  • Pulso rápido e fraco.
  • Sensação de frio, pele fria e calafrios.
  • Respiração rápida, curta, irregular ou muito difícil.
  • Expressão de ansiedade ou olhar indiferente e profundo com pupilas dilatadas, agitação.
  • Medo (ansiedade).
  • Sede intensa.
  • Visão nublada.
  • Náuseas e vômitos.
  • Respostas insatisfatórias a estímulos externos.
  • Perda total ou parcial de consciência.
  • Taquicardia

 

Em todos os casos de reconhecimento dos sinais e sintomas de estado de choque, providenciar imediatamente assistência especializada. A vítima vai necessitar de tratamento complexo que só pode ser feito por profissionais e recursos especiais para intervir nestes casos.

Fonte: Fonte: Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003

 

 

Hemorragias

 
 
É a perda de sangue através de ferimentos, pelas cavidades naturais como nariz, boca etc. Pode ser também, interna, resultante de um traumatismo.
As hemorragias podem ser classificadas inicialmente em arteriais e venosas, e, para fins de primeiros socorros, em internas e externas.

  • Hemorragias Arteriais: É aquela hemorragia em que o sangue sai em jato pulsátil e se apresenta com coloração vermelho vivo.
  • Hemorragias Venosas: É aquela hemorragia em que o sangue é mais escuro e sai continuamente e lentamente, escorrendo pela ferida.
  • Hemorragia Externa: É aquela na qual o sangue é eliminado para o exterior do organismo, como acontece em qualquer ferimento externo, ou quando se processa nos órgãos internos que se comunicam com o exterior, como o tubo digestivo, ou os pulmões ou as vias urinárias.
  • Hemorragia Interna: É aquela na qual o sangue extravasa em uma cavidade pré-formada do organismo, como o peritônio, pleura, pericárdio, meninges, cavidade craniana e câmara do olho.

Consequências das Hemorragias

  • Hemorragias graves não tratadas ocasionam o desenvolvimento do estado de choque e morte.

  • Hemorragias lentas e crônicas (por exemplo, através de uma úlcera) causam anemia (ou seja, quantidade baixa de glóbulos vermelhos.

Fonte: Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003

 

 

Emergências Clínicas
Edema Agudo de Pulmão

 
 

É o acúmulo anormal de líquido nos tecidos dos pulmões. É uma das emergências clínicas de maior importância e seriedade.

Principais causas

O edema pulmonar é uma emergência médica resultante de alguma doença aguda ou crônica ou de outras situações especiais. Problemas do coração, como cardiomiopatia (doença do músculo do coração), infarto agudo do miocárdio ou problemas nas válvulas do coração, que determinam uma fraqueza no bombeamento do sangue pelo coração, estão entre as principais causas do edema pulmonar. Quando o coração não funciona bem, o sangue acumula-se nos pulmões, o que leva à falta de ar. Já a infecção pulmonar (pneumonia) ou a infecção generalizada do corpo também leva ao edema pulmonar, mas por um mecanismo diferente. Outra alteração que leva ao edema pulmonar é a diminuição de proteínas circulantes no sangue, seja por problema nos rins ou no fígado. Quando o nível de proteína no sangue diminui, há uma tendência de acúmulo de líquidos nos pulmões. As reações alérgicas por uso de medicações (reações anafiláticas agudas); o uso de narcóticos para dor (morfina, por exemplo) ou de certas drogas (heroína, nitrofurantoína); inalação de fumaça, de gases irritantes, ou de outras substâncias tóxicas, como por exemplo os compostos orgânicos fosfóricos, acidentes traumáticos graves com o comprometimento do sistema nervoso central e a radioterapia para tumores do tórax, podem também ocasionar o edema pulmonar. Quando uma pessoa muda rapidamente de um local de baixa altitude para um de alta, o edema pulmonar também pode ocorrer.

Sintomas

  • Alteração nos movimentos respiratórios - os movimentos são bastante exagerados
  • Encurtamento da respiração (falta de ar), que normalmente piora com as atividades ou quando a pessoa se deita com a cabeceira baixa. O doente assume a posição sentada.
  • Dificuldade em respirar - aumento na intensidade da respiração(taquipneia)
  • Respiração estertorosa; pode-se escutar o borbulhar do ar no pulmão
  • Eventualmente - batimento das asas do narizA pele e mucosas se tornam frias, acinzentadas, às vezes, pálidas e cianóticas (azuladas), com sudorese fria
  • Ansiedade e agitação
  • Aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia)
  • Aumento da temperatura corporal (hipertermia) nos casos de anafilaxia aguda
  • Mucosa nasal vermelho-brilhante
  • Tosse que no princípio não é produtiva, ou seja, não há expectoração, passa a ser acompanhada por expectoração espessa e espumosa, eventualmente sanguinolenta.

Primeiros Socorros

  • Transferência para um serviço de urgência ou emergência de um hospital.
  • Não movimentar muito a vítima. O movimento ativa as emoções e faz com que o coração seja mais solicitado.
  • Observar com precisão os sinais vitais.
  • Manter a pessoa na posição mais confortável, em ambiente calmo e ventilado.
  • Obter um breve relato da vítima ou de testemunhas sobre detalhes dos acontecimentos.
  • Aplicação de torniquetes alternados, a cada 15 minutos, de pernas e braços pode ser feita enquanto se aguarda o atendimento especializado.
  • Tranquilizar a vítima, procurando inspirar-lhe confiança e segurança.
  • Afrouxar as roupas.
  • · Evitar a ingestão de líquidos ou alimentos.
  • Se possível, dar oxigênio por máscara à vítima.
  • No caso de parada cardíaca aplicar as técnicas de ressuscitação cardio- respiratória.

 

Fonte: Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003

 

 

Infarto do Miocárdio

 
 
Necrose do músculo cardíaco após isquemia por oclusão arterial coronariana aguda, ou seja, é um quadro clínico consequente à deficiência de fluxo sanguíneo para uma dada região do músculo cardíaco (miocárdio), cujas células sofrem necrose devido à falta de aporte de oxigênio. É uma manifestação de insuficiência coronariana e está relacionada, em cerca de95% dos casos, com a arteriosclerose, um processo de obstrução por deposição de gorduras, que afeta as artérias coronarianas e outras artérias do corpo.


Principais Causas
Arteriosclerose; embolia coronariana e espasmo arterial coronário (angina pectória).

Principal Complicação

Parada cardíaca por fibrilação ventricular (parada em fibrilação). Óbito.

Sintomas

A maioria das vítimas de infarto agudo do miocárdio apresenta dor torácica. Esta dor é descrita classicamente com as seguintes características:

  • Dor angustiante e insuportável na região precordial (subesternal), retroesternal e face anterior do tórax.
  • Compressão no peito e angústia, constrição.
  • Duração maior que 30 minutos.
  • Dor não diminui com repouso.
  • Irradiação no sentido da mandíbula e membros superiores, particularmente do membro superior esquerdo, eventualmente para o estômago (epigástrio).
  • A grande maioria das vítimas apresenta alguma forma de arritmia cardíaca. Palpitação, vertigem, desmaio. Deve-se atender as vítimas com quadro de desmaio como prováveis portadoras de infarto agudo do miocárdio, especialmente se apresentarem dor ou desconforto torácico antes ou depois do desmaio.
  • Sudorese profusa (suor intenso), palidez e náusea. Podem estar presentes vômitos e diarreia.
  • A vítima apresenta-se muitas vezes, estressado com "sensação de morte iminente".
  • Quando há complicação pulmonar, a vítima apresenta edema pulmonar caracterizado por dispnéia (alteração nos movimentos respiratórios) e expectoração rosada.
  • Choque cardiogênico.

 

Primeiros Socorros
Muitas vezes, a dor que procede a um ataque cardíaco pode ser confundida, por exemplo, com a dor epigástrica (de uma indigestão). É preciso estar atento para este tipo de falso alarme.

  • Procurar socorro médico ou um hospital com urgência.
  • Não movimentar muito a vítima. O movimento ativa as emoções e faz com que o coração seja mais solicitado.
  • Observar com precisão os sinais vitais.
  • Manter a pessoa deitada, em repouso absoluto na posição mais confortável, em ambiente calmo e ventilado.
  • Obter um breve relato da vítima ou de testemunhas sobre detalhes dos acontecimentos.
  • Tranqüilizar a vítima, procurando inspirar-lhe confiança e segurança.
  • Afrouxar as roupas.
  • Evitar a ingestão de líquidos ou alimentos.
  • No caso de parada cardíaca aplicar as técnicas de ressuscitação cardiorrespiratória.
  • Ver se a vítima traz nos bolsos remédios de urgência. Aplicar os medicamentos segundo as bulas, desde que a vítima esteja consciente.

Toda pessoa com suspeita de edema agudo de pulmão ou
de infarto agudo do miocárdio deve ser encaminhada com
a maior urgência para atendimento especializado em
hospitais, serviço de emergência ou unidade de
emergência cardíaca.

FonteManual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003

 

 

Corpos Estranhos

 
 


A penetração de corpos estranhos no corpo humano é um tipo de acidente muito comum e pode ocorrer nas circunstâncias mais inesperadas. Vários tipos de objetos estranhos ao nosso corpo podem penetrar acidentalmente nos olhos, ouvidos, nariz e garganta. São pequenas partículas, de variada origem e constituição física que, muitas vezes, apesar de aparentemente inofensivas devido ao tamanho, podem causar danos físicos e desconforto sério. É importante o rápido reconhecimento do corpo estranho que tenha penetrado no corpo. Em todos os casos de atendimento é preciso agir com precisão, manter a calma e tranquilizar o acidentado. O conhecimento e a serenidade sobre o que está fazendo são fundamentais para o trabalho de primeiros socorros.

Olhos

Os olhos são os órgãos que estão mais em contato com o trabalho e, portanto, mais susceptíveis de receber corpos estranhos. Qualquer corpo estranho que penetre ou respingue nos olhos de uma pessoa constitui um acidente doloroso, e muitas vezes, de consequências desastrosas.
A atividade de quem for prestar os primeiros socorros na remoção de corpos estranhos dos olhos de um acidentado deve-se limitar exclusivamente às manobras que serão explicadas a frente.
O uso de instrumentos como agulhas, pinças, ou outros semelhantes só podem ser utilizados por profissional de saúde. Todo cuidado é pouco nas manobras de remoção de corpos estranhos dos olhos. Qualquer atendimento malfeito ou descuidado pode provocar lesões perigosas na córnea, conjuntiva e esclerótica.

 

Primeiros Socorros
A primeira coisa a ser feita ao se atender um acidentado que reclame de corpo estranho no olho é procurar reconhecer o objeto e localizá-lo visualmente. Em seguida, pede-se à vítima que feche e abra os olhos repetidamente para permitir que as lágrimas lavem os olhos e, possivelmente, removam o corpo estranho. Muitas vezes a natureza e o local de alojamento do corpo estranho não permitem o lacrimejar, pois pode provocar dor intensa e até mesmo lesão de córnea, nestes casos não se deve insistir para a vítima pestanejar. Se for possível, lave o olho com água corrente. Se o corpo estranho não sair, o olho afetado deve ser coberto com curativo oclusivo e a vítima encaminhada para atendimento especializado.
Muitas vezes o corpo estranho está localizado na superfície do olho, especialmente na córnea e na conjuntiva palpebral superior. O corpo estranho localizado na córnea não deverá ser retirado. O procedimento a ser adotado é o seguinte:

  • Manter o acidentado calmo e tranquilo. Manter-se calmo.
  • Não retirar qualquer objeto que esteja na córnea.
  • Não tocar no olho do acidentado nem deixar que ela o faça.
  • Não tocar no objeto.
  • Encaminhar o acidentado para atendimento especializado, se possível com uma compressa de gaze, lenço ou pano limpo cobrindo o olho afetado sem comprimir, fixando sem apertar. O próprio acidentado poderá ir segurando a compressa.

Se o corpo estranho não estiver na córnea, ele pode ser procurado na pálpebra inferior. Se estiver lá, pode-se removê-lo com cuidado, procedendo da seguinte maneira:

  • Lavar bem as mãos com água e sabão.
  • Tentar primeiramente remover o objeto com as lágrimas, conforme instruído anteriormente.
  • Se não sair, podem-se usar hastes flexíveis com ponta de algodão ou a ponta limpa de um lenço retorcido.
  • Enquanto puxa-se a pálpebra para baixo, retira-se o objeto cuidadosamente.

Se o objeto estiver na pálpebra superior será necessário fazer a eversão da pálpebra para localizá-lo e removê-lo, com0 explicado a seguir:

  • Levantar a pálpebra superior, dobrando-a sobre um cotonete ou palito de fósforo.
  • Quando o objeto aparecer, removê-lo com o auxílio de outro cotonete ou ponta de tecido ou de lenço limpo, retorcido.
  • Se houver risco de lesão ou dor excessiva, suspender a manobra e encaminhar para socorro especializado
  • Ao encaminhar o acidentado para atendimento especializado, deve-se cobrir o olho afetado com gaze ou pano limpo.

Qualquer líquido que atingir o olho deve ser removido imediatamente. O olho deve ser lavado em água corrente de uma pia, ou no jato de água corrente feito com a mão espalmada sob a torneira. Em muitos laboratórios existe o chuveiro lava-olhos para onde o acidentado deverá ser levado, sempre que possível. Uma alternativa para estas opções é fazer com que o acidentado mantenha o rosto, com o olho afetado, debaixo d'água, mandando-a abrir e fechar repetidamente o olho. Qualquer procedimento de lavagem de olhos para retirada de líquido estranho deverá ser feito no mínimo por 15 minutos.
Não se pode perder tempo procurando saber que tipo de líquido caiu no olho do acidentado. Providenciar a lavagem imediatamente. Após a lavagem, com o olho coberto por gaze, o acidentado deve ser encaminhado para socorro especializado. A falta de atendimento e posterior tratamento adequado nos casos de corpos estranhos oculares pode, em determinadas circunstâncias, causar graves problemas aos olhos. Estes problemas podem ir desde dificuldades óticas corrigíveis com lentes, até a perda da visão ou mesmo do próprio olho. Um corpo estranho no olho, além de conduzir microrganismos, pode causar abrasão na superfície da córnea que pode vir a infeccionar e causar desde uma úlcera da córnea até panoftalmite (inflamação do olho); muitas vezes uma vítima reclama da presença de um corpo estranho no olho, que não é encontrado. O corpo estranho pode já ter saído, mas causou abrasão da córnea. O encaminhamento ao médico para prova de fluoresceína deve ser imediato nestes casos.

Fonte: Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003

 

 

Entorses e Luxações

 
 

Entorse
São lesões dos ligamentos das articulações, onde estes esticam além de sua amplitude normal rompendo-se. Quando ocorre entorse há uma distensão dos ligamentos, mas não há o deslocamento completo dos ossos da articulação.
As formas graves produzem perda da estabilidade da articulação às vezes acompanhada por luxação.
As causas mais frequentes da entorse são violências como puxões ou rotações, que forçam a articulação. No ambiente de trabalho a entorse pode ocorrer em qualquer ramo de atividade. Uma entorse geralmente é conhecida por torcedura ou mau jeito.

Os locais onde ocorre mais comumente são as articulações do tornozelo, ombro, joelho, punho e dedos. Após sofrer uma entorse, o indivíduo sente dor intensa ao redor da articulação atingida, dificuldade de movimentação, que poderá ser maior ou menor conforme a contração muscular ao redor da lesão. Os movimentos articulares cujo exagero provoca a entorse são extremamente dolorosos e a dor aumentará em qualquer tentativa de se movimentar a articulação afetada.

As distensões são lesões aos músculos ou seus tendões, geralmente são causadas por hiperextensão ou por contrações violentas. Em casos graves pode haver ruptura do tendão.
Primeiros Socorros

  • Aplicar gelo ou compressas frias durante as primeiras 24 horas.
  • Após este tempo aplicar compressas mornas.
  • Imobilizar o local como nas fraturas.

 

Luxação
São lesões em que a extremidade de um dos ossos que compõem uma articulação é deslocada de seu lugar. O dano a tecidos moles pode ser muito grave, afetando vasos sanguíneos, nervos e cápsula articular. São estiramentos mais ou menos violentos, cuja consequência imediata é provocar dor e limitar o movimento da articulação afetada.

Nas luxações ocorre o deslocamento e perda de contato total ou parcial dos ossos que compõe a articulação afetada. Os casos de luxação ocorrem geralmente devido a traumatismos, por golpes indiretos ou movimentos articulares violentos, mas, às vezes uma contração muscular é suficiente para causar a luxação. Dependendo da violência do acidente, poderá ocorrer o rompimento do tecido que cobre a articulação, com exposição do osso.

As articulações mais atingidas são o ombro, cotovelo, articulação dos dedos e mandíbula. Nos ambientes de trabalho a luxação pode se dar em qualquer ramo de atividade, devido a um movimento brusco.

Sinais e Sintomas
Para identificar uma luxação deve-se observar as seguintes características:

  • Dor intensa no local afetado (a dor é muito maior que na entorse),
  • ·Edema.
  • Impotência funcional.
  • Deformidade visível na articulação. Podendo apresentar um encurtamento ou alongamento do membro afetado.

Primeiros Socorros
O tratamento de uma luxação (redução) é atividade exclusiva de pessoal especializado em atendimento a emergências traumato ortopédicas. Os primeiros socorros limitam-se à aplicação de bolsa de gelo ou compressas frias no local afetado e à imobilização da articulação, preparando o acidentado para o transporte.

 

Fonte: Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003

 

 

Primeiros Socorros em Queimaduras Térmicas

 
 

Estes tipos de queimaduras são causados pela condução de calor através de líquidos, sólidos, gases quentes e do calor de chamas.

Podem ser extremamente dolorosas e nos casos de queimaduras de segundo grau profundas ou de terceiro grau, em que a profundidade da lesão tenha destruído terminais nervosos da pele a dor aguda é substituída por insensibilidade.

A dor e a ansiedade podem evoluir para síncope. Nas queimaduras térmicas, extensas e/ou profundas, é frequente sobrevir o estado de choque, causado pela dor e/ou perda de líquidos, após algumas horas. Em consequência disto, devem ser tomadas as medidas necessárias para a prevenção.

Nas queimaduras identificadas como sendo de primeiro grau, deve-se limitar à lavagem com água corrente, na temperatura ambiente, por um máximo de um minuto. Este tempo é necessário para o resfriamento local, para interromper a atuação do agente causador da lesão, aliviar a dor e para evitar o aprofundamento da queimadura. O resfriamento mais prolongado pode induzir hipotermia.

Não aplicar gelo no local, pois causa vasoconstrição e diminuição da irrigação sanguínea.
Se o acidentado sentir sede, deve ser-lhe dada toda a água que desejar beber, porém lentamente. Sendo possível, deve-se adicionar à água sal (uma colher, das de café, de sal para meio litro de água). Se o acidentado estiver inconsciente não lhe dê água, pois pode ocasionar-lhe a morte.
Em todos os casos de queimaduras, mesmo as de primeiro grau, são convenientes ficar atento para a necessidade de manter o local lesado limpo e protegido contra infecções.

As queimaduras de segundo grau requerem outros tipos de cuidados para primeiros socorros. Além do procedimento imediato de lavagem do local lesado, proteger o mesmo com compressa de gaze ou pano limpo, umedecido, ou papel alumínio. Não furar as bolhas que venham a surgir no local. Não aplicar pomadas, cremes ou unguentos de qualquer tipo.
Especial menção deverá ser feita quanto a certos hábitos populares prejudiciais como: uso e aplicação de creme dentifrício, manteiga, margarina ou graxa de máquina. É preciso ficar bem claro que não se pode usar qualquer espécie de medicamento tópico (pomadas) nestes casos.

Para prevenir o estado de choque o acidentado deverá ser protegido por cobertor ou similar; colocado em local confortável, com as pernas elevadas cerca de 30 cm, em relação à cabeça.
Tranquilizar o acidentado devido à existência de dor e sofrimento, já que a administração de drogas analgésicas é restrita a pessoa especializada.

Nada deve ser dado à vítima como medicamento. Remover joias e vestes do acidentado para evitar constrição com o desenvolvimento de edema. Não retirar roupas ou partes de roupa que tenham grudado no corpo do acidentado, nem retirar corpos estranhos que tenham ficado na queimadura após a lavagem inicial.
Todas as manobras deverão ser executadas com calma e precisão. A identificação do estado ou iminência de choque poderá ser feita pela observação de ansiedade; inquietação, confusão, sonolência, pulso rápido, sudorese, oligúria e baixa pressão arterial.

Realizar normalmente o exame primário, priorizando a manutenção de vias aéreas, respiração e circulação.
O acidentado deverá ser encaminhado imediatamente para atendimento especializado. Não transportar o acidentado envolvido em panos úmidos ou molhados.

O atendimento de primeiros socorros para queimaduras de terceiro grau também consiste na lavagem do local lesado e na proteção da lesão.

Se for possível, proteger a área com papel alumínio. O papel alumínio separa efetivamente a lesão do meio externo; diminui a perda de calor; é moldável, não aderente e protege a queimadura contra microrganismos.
Todas as providências tomadas para prevenção do estado de choque, administração de líquidos e cuidados gerais com vítima são as mesmas aplicadas nos casos de queimaduras de segundo grau. As queimaduras de terceiro grau têm a mesma gravidade que queimaduras de segundo grau profundas.

O acidentado de queimadura térmica na face, cujo acidente ocorreu em ambiente fechado, deve ficar em observação para verificação de sinais de lesão no trato respiratório. Os sintomas e sinais, muitas vezes, podem aparecer algumas horas depois da ocorrência e representar oclusão dos brônquios e edema pulmonar. Pode haver expectoração fuliginosa com fragmentos de tecido.
Fogo no Vestuário
A combustão das roupas do acidentado agrava consideravelmente a severidade da lesão. Nestes casos:

  • Não deixar o acidentado correr.
  • Obrigá-lo a deitar-se no chão com o lado das chamas para cima.
  • Abafar as chamas usando cobertor, tapete, toalha de mesa, de banho, casaco ou algo semelhante, ou faça-o rolar sobre si mesmo no chão.
  • Começar pela cabeça e continuar em direção aos pés.
  • Se houver água, molhar a roupa do acidentado.
  • Não usar água se a roupa estiver com gasolina, óleo ou querosene.

É absolutamente contraindicado a aplicação sobre a queimadura de qualquer substância que não seja água na temperatura ambiente ou pano úmido muito limpo.

Fonte: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/biosseguranca/manualdeprimeirossocorros.pdf

 

 


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